O Movimento GAFCON e o Anglicanismo Conservador

Uma família global de anglicanos.

● Origem e Contexto de Tensão
O surgimento do GAFCON (Global Anglican Future Conference) ocorreu em um contexto de crescentes divergências teológicas na Comunhão Anglicana. A ordenação de bispos em relacionamentos homoafetivos pela Igreja Episcopal dos Estados Unidos (ECUSA) — como Mary Glasspool em 2010 — intensificou as divisões entre liberais e conservadores. Essas ações violaram moratórias internas, levando a Comunhão Anglicana a impor sanções à ECUSA, retirando seu poder de decisão doutrinária e sua participação em diálogos ecumênicos.
Em resposta a esse movimento liberal, anglicanos tradicionalistas romperam com a ECUSA e fundaram em 2009 a Igreja Anglicana na América do Norte (ACNA), sob a liderança do bispo Robert William Duncan e com o apoio de primazes da África e da América do Sul.

● Fundação, Visão e Identidade
O GAFCON é um movimento global que reúne anglicanos conservadores focado em:
Centralidade Bíblica: Manter a Bíblia no centro da fé e da prática da Comunhão Anglicana, visando proteger o evangelho tradicional.
Declaração de Jerusalém (2008): Documento fundador que une os membros e estabelece a base teológica do movimento.
Liderança: É governado por um Conselho de Primazes que afirma representar a maioria dos anglicanos do mundo, promovendo a formação de líderes e recursos missionários

● Conferências e Expansão Global
A atuação do GAFCON consolida-se por meio de grandes conferências internacionais que reúnem líderes leigos, clérigos, bispos e arcebispos:
Jerusalém (2008): A conferência inaugural, que deu origem ao movimento e contou com mais de mil participantes.
Nairóbi, Quênia (2013): Reuniu mais de 1.300 delegados de 38 nações e 27 províncias. Formalizou o Comunicado e Compromisso de Nairóbi, concedendo ao Conselho de Primazes o mandato para liderar e expandir o movimento.
Encontros Subsequentes: O movimento deu continuidade às suas reuniões globais em Israel (2018), Dubai (2019) e Kigali (2022).