O Ano Litúrgico
Festividades Cristãs.
Desde os tempos mais remotos, a Igreja se reúne aos domingos para celebrar a boa nova de Jesus Cristo. Ao longo do tempo, desenvolveu-se também um ciclo anual de comemoração cristã, que nos permite recordar sua vida, morte e ressurreição; celebrar o dom do Espírito Santo; e recordar o ministério do povo santo que difundiu a fé cristã ao longo dos séculos.
Por meio da estruturação de nossa memória cristã, o passado consegue adentrar nosso presente.
O ano litúrgico ou ano da Igreja divide-se em vários tempos. Começa com o Advento, que antecipa o Natal. A visita dos Reis Magos a Jesus é recordada na Epifania, após a qual se inicia o Tempo Comum. As seis semanas da Quaresma preparam-nos para a Páscoa, que celebra a ressurreição de Jesus, culminando na sua Ascensão e no dom do Espírito Santo à Igreja em Pentecostes. O Tempo Comum recomeça então e estende-se até o final do ano.
O chamado "tempo comum" está longe de ser entediante. Ele permite uma leitura mais contínua da Bíblia, a exploração de outros temas como a criação e o meio ambiente, e respostas criativas aos dias dos santos.
Você poderá observar diferentes elementos na igreja, dependendo do tempo litúrgico, alguns dos quais são descritos abaixo.
Advento
O Advento marca o início do ano litúrgico cristão, começando quatro domingos antes do Natal. É um tempo de expectativa e preparação, enquanto a Igreja aguarda a celebração do nascimento de Cristo.
Embora seja um tempo de preparação, a característica marcante do Advento é a expectativa, e não o arrependimento. A pressão comercial tornou mais difícil manter um sentido de vigilância atenta na expectativa do Natal, mas, para muitos cristãos, a nossa preparação para a vinda de Cristo é um lembrete poderoso do verdadeiro significado desta época.
Na Inglaterra, o Advento ocorre na época mais escura do ano, e os símbolos naturais da escuridão e da luz atuam de forma marcante. Muitas igrejas usam uma "coroa de Advento" para marcar os domingos desse tempo, acendendo uma nova vela a cada semana. Na Igreja da Inglaterra, o foco está nos patriarcas e profetas que anunciaram a salvação da humanidade, depois em João Batista e, finalmente, em Maria, que se prepara para dar à luz o Salvador.
Natal
A celebração da vinda de Cristo entre nós no Natal (conhecida como a "Encarnação") é um dos dois polos do ano cristão, juntamente com a história da morte e ressurreição de Cristo. O Natal é muito mais do que a celebração do nascimento de Jesus: ele nos lembra da verdade central de que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós" (João 1:14), cumprindo a profecia de Isaías (7:14) de que "a virgem conceberá e dará à luz um filho".
Um dos desafios para os cristãos é continuar a celebrar o Natal muito depois de o resto do mundo voltar a sua atenção para outros assuntos. O tempo do Natal dura doze dias, culminando na Festa da Epifania, em 6 de janeiro, quando recordamos como Jesus se revelou pela primeira vez ao mundo na visita dos Reis Magos.
Epifania
A Festa da Epifania, que sempre ocorre em 6 de janeiro, marca o início de um período que reconhece Jesus como o Filho de Deus.
A palavra "epifania" significa "manifestação" ou "aparição", e a Festa da Epifania marca o reconhecimento do recém-nascido Jesus pelo mundo. Mais tarde, a Igreja relembra o Batismo de Cristo por João, quando uma voz do céu declara Jesus como o Filho amado de Deus. Finalmente, em 2 de fevereiro, o período da Epifania termina com a Festa da Apresentação. Jesus é levado ao Templo por seus pais, de acordo com a lei de Israel. Lá, ele é reconhecido por Simeão, que o declara como "uma luz para iluminar os gentios e a glória do povo de Deus, Israel". O culto tradicional para esta festa inclui uma procissão de velas e, por isso, ela é frequentemente conhecida como Festa da Candelária.
Quaresma
A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, um período de autoexame, penitência, abnegação, estudo e preparação para a Páscoa. A Quaresma é frequentemente descrita como tendo duração de quarenta dias (excluindo os domingos), o que remete ao relato bíblico da tentação de Jesus no deserto (Lucas 4:1-13).
As cinzas são um antigo sinal de penitência. Desde a Idade Média, tornou-se costume iniciar a Quaresma com o sinal da cruz marcado na testa com cinzas. A Quaresma é um tempo de preparação, especialmente para aqueles que serão batizados na Páscoa, mas toda a comunidade cristã é encorajada a se unir a eles em estudo e autorreflexão.
Com a aproximação da Semana Santa, a atmosfera da época se torna mais sombria. As leituras bíblicas começam a antecipar a história do sofrimento e da morte de Cristo. A Semana Santa inicia-se com a representação da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém no Domingo de Ramos. Este é o começo de uma jornada da imaginação que nos leva ao Cenáculo para a Última Ceia na Quinta-feira Santa, passando pela traição, julgamento e crucificação de Jesus na Sexta-feira Santa.
Na Vigília da noite anterior ao Domingo de Páscoa, a Igreja se reúne para comemorar as grandes obras de Deus por meio da leitura das Escrituras, em preparação para a proclamação da ressurreição de Cristo.
Páscoa
O Domingo de Páscoa comemora a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. Na Igreja de hoje, proporciona uma experiência real de vida nova, com o batismo e a renovação das promessas batismais. Os batizados unem-se a Cristo em sua morte e ressurreição. Tradicionalmente, acende-se um novo fogo, no qual se acende o círio pascal, que é erguido com a proclamação: "A luz de Cristo". Essa passagem das trevas para a luz oferece esperança a todos os fiéis.
Desde o final do século IV, no quadragésimo dia da Páscoa, a Igreja celebra a ascensão de Cristo ao céu. Isso marca o fim de seu ministério terreno e, portanto, a Festa da Ascensão está intimamente ligada ao tema da missão.
O período da Páscoa é celebrado durante cinquenta dias, culminando no Dia de Pentecostes.
O Evangelho de Mateus termina com as palavras finais de Jesus aos seus discípulos: que fossem por todas as nações e fizessem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28:19-20). No Evangelho de João, Jesus instruiu seus seguidores a orarem pela vinda do Espírito Santo (João 14:15-17). A festa de Pentecostes celebra o relato da vinda do Espírito Santo sobre os discípulos, capacitando-os para a missão (Atos 2:1-47). A Ascensão e o Pentecostes estão intimamente ligados. A Igreja agora deve ser o novo corpo de Cristo, repleto de sua vida por meio do dom do Espírito Santo.
